O coletivo B2 Atelier de Design foi instituído em 10 de maio de 1982, por Salette (1952) e José Brandão (1944), como consequência natural da atividade que vinham a desenvolver desde a década de 1970. A Coleção integra mais de 2 900 testemunhos documentais datados e assinados que cobrem cerca de 50 anos desta prática intensiva, constituindo matéria consistente para um desenvolvimento da investigação sobre a história do design gráfico em Portugal.
Para além de cobrir a produção do B2 Atelier de Design desde o início da sua atividade, integra também 82 unidades de arquivo cuja autoria é de José Brandão. Destaca-se, entre os demais, as capas dos discos Coro dos Tribunais, de José Afonso (1974), Madrugada dos Trapeiros, de Fausto (1977), ou Pano-Cru, de Sérgio Godinho (1978) ; as capas dos livros Os Passos em Volta, de Herberto Helder (1970), e O Triunfo dos Porcos, de George Orwell (1976); ou ainda o cartaz do filme Deus, Pátria, Autoridade, de Rui Simões (1976).
Ao longo de mais de quatro décadas, o B2 Atelier foi um espaço de colaboração de diferentes gerações de designers, alguns dos quais durante um longo período de tempo. Não obstante a continuada colaboração de vários designers, é de considerar uma identidade cunhada pela dupla fundadora, sobretudo de José Brandão, que em 2024 completa 80 anos e que mantém não só a gestão do ateliê mas também a atividade de designer. A sua visão integradora do conhecimento, o gosto pelo desenho e a formação em design no Ravensbourne College of Art and Design contribuíram para a sensibilidade, sentido crítico e criatividade sustentada que vem definindo a sua prática e a pedagogia do design.
Ao valor representativo da Coleção acresce o valor da integridade deste conjunto, que é conferida pela cobertura temporal dos elementos, pela estrutura original mantida no processo de transferência para o Museu, pela consistência dos projetos representados nas suas diversas fases de execução e pelo carácter de continuidade com que a entidade produtora foi arquivando os registos e materiais gráficos, os quais, nesse contexto corporativo, de certa forma privado, foram consultados e tidos frequentemente como recursos documentais e fonte de informação. Condição que se reforça agora que se encontram no domínio museológico e de acesso público, pelo seu carácter patrimonial e testemunho primário para a historiografia do design em Portugal.
Mais informação no livro ACERVO MUDE – Várias Expressões do Design