Em 2017, o MUDE recebeu em depósito com vista a doação (efetivada em 2022), um conjunto representativo dos 43 anos de atividade do Teatro da Cornucópia. Depois desta companhia de teatro independente ter cessado a sua atividade em dezembro de 2016, os textos de dramaturgia foram doados ao Centro de Estudos de Teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e o extenso trabalho desenvolvido por Cristina Reis (1945) como cenógrafa, figurinista e designer gráfica ficou no MUDE, pela sua representatividade sobre a ligação entre o design e as artes de palco, em particular, o teatro.
É reconhecida a importância que as imagens, roupagens e espaços desenhados por Cristina Reis desempenharam na tradução formal e visual de cada dramaturgia do encenador Luís Miguel Cintra. Várias vezes distinguidas, tiveram também um papel decisivo na construção da identidade da companhia, tornando-se mesmo uma marca distintiva da Cornucópia. Entre os vários prémios que recebeu, destaca-se o Prémio ACARTE/Maria Madalena de Azeredo Perdigão (1997); o Prémio Almada/Teatro pelo conjunto da sua obra, atribuído pelo Ministério da Cultura (1999); o Prémio Nacional de Design/Centro Português de Design (2000); ou o Prémio Gulbenkian Artes (2010).
A Coleção integra material gráfico de mais de 120 espetáculos (cartazes, anúncios, programas e outro material impresso), 71 maquetas originais de cenários, 80 figurinos e muitos acessórios de palco, sendo, por isso, um arquivo de grande valor patrimonial que, à época do depósito, se encontrava em risco de perda total, dadas as vicissitudes inerentes ao processo de desfecho da própria companhia. A este corpus museológico, articulado com um corpus documental, acresce ainda um vasto conjunto de adereços ou dispositivos de palco que se encontra à guarda do Museu para estudo, apresentação futura em exposição, dado o seu valor cénico e plástico, e possível afetação definitiva.
Mais informação no livro ACERVO MUDE – Várias Expressões do Design