Incorporação Doações António Garcia 2010, Jorge Silva 2014, Sofia da Costa Pessoa 2014, Família de António Garcia 2024; Oferta 2024
Intervalo cronológico 1954-1978
Corpus museológico Núcleos Design Gráfico, Produto
Entradas inventário 128
Tipologias Capa de livro, cartaz, desenho técnico, embalagem, fotografia, imagem corporativa, maqueta, mobiliário, protótipo

António Garcia (1925-2015) é uma das figuras de referência no design em Portugal e um dos seus pioneiros, tendo desenvolvido, ao longo de mais de 50 anos, uma vasta e diversificada obra de arquitetura e design gráfico, de equipamento e de interiores. No seu ateliê próprio, fundado no final da década de 1950 na Avenida da Liberdade, ou colaborando com António Sena da Silva e Daciano da Costa (com este último, criou e esteve na direção do Gabinete Risco — Projectistas e Consultores de Design, em 1974), António Garcia instruiu a prática do design com uma configuração metodológica e conceptual moderna, contribuindo assim, de forma singular, para a afirmação e consolidação do design em Portugal. Das suas mãos nasceram os mais diversos produtos em escalas muito diversas, do selo de correio à moradia unifamiliar ou ao stand expositivo, tal como a exposição Zoom in//Zoom out, mostra retrospetiva organizada pelo MUDE, em 2010, procurou demonstrar.

Desenhador litógrafo qualificado pela Escola Industrial António Arroio, António Garcia desenhou, com apenas 13 anos, as separatas em cartolina com construções de armar para O Mosquito, publicação que chegou a alcançar uma tiragem de 60 mil exemplares. Trabalhando sem recurso ao computador ou a programas sofisticados que atualmente assistem a prática da disciplina, António Garcia dominava o desenho manual e destacava-se nas ilustrações, colagens, montagens fotográficas, letras desenhadas ou de decalque com as quais compunha as suas propostas gráficas. A sua força residia na simplicidade e qualidade de cada detalhe, ancoradas numa vívida imaginação e numa capacidade de trabalho notável. E longa.

O caráter amável e generoso, a par de um humor inteligente e educado, informava todas as suas propostas, fazendo dele a figura cativante que tantos recordam. Notabilizado entre os pares e os investigadores como um homem gentil e humilde, António Garcia possuía um gosto requintado, uma curiosidade em aprender mais e uma genuína preocupação com a resolução dos problemas concretos, sempre sem excessos materiais ou vontades de projeção pessoal. Selos, capas de livros, mobiliário e equipamento, stands expositivos, obras arquitetónicas, a sua obra evidencia sempre bom senso, um exímio cuidado com a proporção e a escala de cada elemento, uma sensibilidade especial com os materiais e uma atenção com a qualidade de execução de todos os pormenores, de modo a garantir o máximo conforto do utilizador. Em lugar de se submeter às premissas da produção em série, António Garcia trabalhava cada peça como parte de um pensamento total, onde importavam, acima de tudo, uma sólida qualidade criativa e técnica.

Mais informação no livro ACERVO MUDE – Várias Expressões do Design

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