Incorporação Doação Maria Gambina 2020
Intervalo cronológico 1990-2013
Corpus museológico Núcleo Design de Moda
Entradas inventário 298
Tipologias Acessório, calçado, vestuário

Formada em Design de Moda pelo CITEX (atual MODATEX), Maria Gambina (1969) criou a sua marca em 1993 e apresentou regularmente as suas coleções na ModaLisboa e no Portugal Fashion. Em paralelo à sua atividade como designer, desenvolveu desde cedo uma carreira de docência, tendo lecionado na instituição onde se formou, passando pela Cenatex, Escola de Moda do Porto, ESAD (onde durante oito anos foi coordenadora e professora na licenciatura em Design de Moda), e na Universidade Lusófona. Além da criação de vestuário, tem trabalhado em diversos projetos ligados à televisão, ao teatro e à dança, entre outras áreas. Em co-autoria com José António Tenente venceu o concurso de fardamentos da Expo’98, bem como do Grupo CUF, e mais recentemente o Concurso de Ideias para a criação de vestuário dos colaboradores das áreas de atendimento público do MUDE — Museu do Design.

Ao longo da sua carreira, foi distinguida com diversos prémios e reconhecimentos. Em 2012, decidiu fazer uma pausa na sua marca para se dedicar ao ensino, retomando em 2017 com a coleção Construção (primavera//verão 2018). Maria Gambina descreve o seu trabalho como emocional e está desde sempre ligada à música, outra das suas paixões, que inspira todas as suas coleções de uma forma mais ou menos evidente. Neste contexto, a designer refere Gilles Peterson (radialista e DJ francês radicado no Reino Unido) como uma referência na sua cultura musical. Através das coletâneas e dos programas de Peterson na BBC, descobriu acidentalmente o jazz e nomes como John Coltrane ou Nina Simone, abrindo o seu universo criativo a novas sonoridades e novas inspirações, expressas de uma forma evidente na coleção Jazz Accident (primavera/verão 2002).

Com uma natureza inquieta e reflexiva, Maria Gambina sempre questionou os pressupostos projetuais do design de moda — o longo processo que envolve a busca pelo conceito, pelos temas e como estes se traduzem materialmente, a modelagem, a escolha de tecidos e a confeção —, as pressões impostas pelo sistema da moda e os seus calendários sazonais. Foi isso que a levou a fazer uma pausa e a repensar a sua prática. Abriu caminho para a intuição e aprendeu a aceitar a imprevisibilidade temporal do ato criativo. Neste momento, não apresenta as suas coleções em desfile nas plataformas nacionais, apostando no contacto de proximidade com o cliente na sua loja na Foz do Porto. A Coleção Maria Gambina no acervo do MUDE é constituída por 309 peças de diferentes tipologias: calças, vestidos, saias, camisolas, casacos, blusões, coletes, capas, calções, fatos de banho, calçado e acessórios.

Mais informação no livro ACERVO MUDE – Várias Expressões do Design

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