A Coleção Daciano da Costa resulta de diferentes modalidades de incorporação realizadas desde 2006, em especial do depósito efetuado pela própria família, em 2010. No conjunto, ganha evidência a linha Cortez (1962), sistema de mobiliário metálico para escritório desenhado por Daciano da Costa (1930-2005) para a Metalúrgica da Longra de Fernando Seixas, empresário com quem irá desenvolver uma longa colaboração, da qual resulta a conceção e produção de outras linhas de escritório, como a Prestígio (1962) ou a Dfi (1971).
As peças da linha Cortez existentes na Coleção (estantes, secretárias, mesas, cadeiras) permitem compreender a lógica serial de todo o sistema, a inteligente solução construtiva que possibilitou a sua produção em série, o especial cuidado com os materiais e acabamentos, a leveza da estrutura em metal, bem como a funcionalidade e complementaridade dos vários componentes, os quais, associados, ofereciam qualidade e conforto aos seus utilizadores. Produzida ao longo de mais de 20 anos, durante os quais passou por algumas alterações, nomeadamente no pé das cadeiras, em resultado da legislação então em vigor, a linha Cortez foi um caso de sucesso, equipando muitos ambientes de trabalho no país até se tornar numa das obras mais icónicas e reconhecíveis do design industrial em Portugal.
As restantes peças da Coleção permitem assinalar a diversidade, extensão, impacto e legado do trabalho de Daciano da Costa no design e na arquitetura de interiores, o qual muito contribuiu, juntamente com a sua ação enquanto professor e pensador, para o desenvolvimento da cultura de projeto, do associativismo de classe e do valor cultural e socioeconómico do design.
Defensor da complementaridade entre a arte, a indústria e a mestria artesanal, do seu traço e ateliê nasceram muitas peças de mobiliário, equipamentos, objetos utilitários e decorativos pensados especialmente para o fabrico industrial. No entanto, várias propostas permaneceram como protótipos ou séries reduzidas, revelando as próprias idiossincrasias da produção nacional. Como exemplos, encontram-se, nesta Coleção, o sistema de utensílios de cozinha da linha Dona (1964), concebido em esmalte, com recipientes e tampas de formas e cores que respondiam aos novos gostos e vivências domésticas [p. 176]; ou o serviço de jantar, chá e café em porcelana proposto para a SPAL — Sociedade de Porcelanas de Alcobaça, em 1970 [p. 177], com formas e motivos decorativos geométricos.
Mais informação no livro ACERVO MUDE – Várias Expressões do Design