Bárbara Coutinho
Bárbara Coutinho
António Silveira Gomes e Cláudia Castelo
José Albergaria
Barbara says
Piso 4
A exposição “Ver e Ler” apresenta o trabalho autoeditado de Paulo de Cantos (1892-1979). Figura multifacetada — pedagogo, artista, editor e colecionador — Paulo de Cantos deixou um legado de forte unidade estilística e objetos gráficos visualmente surpreendentes que desafiam as fronteiras entre a criação visual e a transmissão do saber.
O objetivo é trazer para o centro do debate um autor complexo e ainda pouco reconhecido pela historiografia do design, com o propósito de promover uma (re)descoberta crítica de figuras fundamentais da nossa cultura visual. Deste modo, reafirma-se o compromisso assumido no Museu do Design com a investigação e a divulgação de práticas que entrecruzam a arte, a pedagogia e o pensamento crítico através do design.
Os cinco núcleos temáticos apresentam a produção de Paulo de Cantos de forma contextualizada, propondo reflexões sobre como o design pode, enquanto metodologia de ensino, reconfigurar a forma como olhamos e entendemos o mundo.
O livro tem o protagonismo por ter sido o suporte privilegiado do autor que, ao longo da sua vida, procurou ultrapassar os limites físicos e concetuais do objeto impresso. Encontram-se em exposição manuais escolares, cartilhas, ensaios, livros-jogos e postais ilustrados criados por Paulo de Cantos, com especial destaque para os seus autodenominados “livros birostos”, manuais que apresentam capas inversamente oponentes subvertendo a hierarquia tradicional de leitura (princípio, meio e fim).
Mesmo os livros que, concebidos durante o Estado Novo, refletem temas colonialistas, racistas ou sexistas, a exposição foca-se na análise do seu design gráfico enquanto motor de literacia, onde a geometria e a composição visual queriam transformar o ensino da geografia, da história, da literatura ou da ciência num exercício de descoberta lúdica e participativa.