Palácio Condes da Calheta, Jardim Botânico Tropical, Belém
MUDE, em parceria Universidade de Lisboa – Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MUHNAC)
Bárbara Coutinho
Bárbara Coutinho e Adélia Borges
Rita Filipe
Vivó Eusébio
A terceira exposição da programação organizada pelo MUDE para Lisboa, no âmbito da Capital Ibero-americana da Cultura 2017 propôs-se traçar um mapa de fluxos entre Portugal e Brasil, focando a atenção no design e na cultura material de cada país, de modo a problematizar a natureza dessas trocas e tentar entender como espelham a identidade e a história de cada um.
A partilha de olhares e ideias entre as duas curadoras — Bárbara Coutinho, portuguesa, e Adélia Borges, brasileira — teceu uma malha de trabalhos transversais e autores que vivem cruzando ou unindo o Atlântico Sul, envolvendo muitas vezes África. Os objetos, projetos, móveis, embalagens, peças gráficas e vestuário em exibição remeteram tanto para a história, política e memória coletiva (incluindo reinterpretações de algumas marcas e símbolos nacionais), como espelharam os estereótipos das suas representações e imagéticas.
Embora colocasse em diálogo obras de diferentes períodos, incluindo o colonial, a mostra centrou-se no século XX-XXI, destacando, por exemplo, Joaquim Tenreiro no móvel moderno brasileiro, o traço de Oscar Niemeyer em Moimenta da Beira, a figura de Carmen Miranda, o imaginário de Bordallo Pinheiro, a ação de Fernando Lemos entre os dois lados do Atlântico e iniciativas recentemente elaboradas em conjunto por profissionais das duas nacionalidades.