Sacristia do Santo Padre no Campo da Graça
Parque Tejo, Lisboa
Câmara Municipal de Lisboa
Bárbara Coutinho
O interior da sacristia do Santo Padre foi projetado com base no culto Mariano em Portugal. O conceito aliou a erudição ao saber popular, traduzindo uma consciência de economia de meios através de um mobiliário simples, leve e despojado em matérias-primas nacionais como madeira, vime, cortiça, cerâmica e têxteis.
O acolhimento e a oração foram evocados à entrada através do perfil das mãos em prece, da artista Leonor Hipólito, e da sombra de Lourdes Castro projetada em azulejo. No interior, destacaram-se as imagens de Nossa Senhora da Conceição e de Nossa Senhora Desatadora dos Nós, moldadas em barro pelas ceramistas alentejanas Irmãs Flores, segundo a tradição da olaria de Estremoz. A envolvência sacra incluiu ainda a faiança Sermão aos Peixes, de Tonico Lemos, e o painel decorativo tridimensional Éden, do designer David Marques.
O mobiliário integrou, por exemplo, a cadeira de braços e a mesa de apoio desenhadas por Maria Keil em 1948. A madeira talhada destas peças recuperou a memória estética dos pastores serranos, cujos motivos geométricos gravados a canivete refletem heranças seculares. Por fim, uma parede acolheu uma histórica Colcha de Castelo Branco, bordada a fio de seda sobre linho cru pela Oficina-Escola do Museu Francisco Tavares Proença Júnior. Com os seus motivos orientais da Árvore da Vida, o têxtil envolveu todo o ambiente.