Palacete de São Bento – Residência Oficial do Primeiro-Ministro
Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros e Câmara Municipal de Lisboa
Bárbara Coutinho
A iniciativa “Design em São Bento – Traços da Cultura Portuguesa” resultou de um convite do então Primeiro-Ministro, António Costa, ao MUDE. O propósito central foi transformar a Residência Oficial, um dos mais importantes espaços de soberania e representação institucional do país, numa montra viva do empreendedorismo e da excelência da criação e produção em Portugal.
A intervenção curatorial remodelou as salas do palacete em duas fases estratégicas: o Piso 0, direcionado para a receção de dignatários e parceiros sociais, e o Piso 1, englobando o Gabinete de Trabalho do Primeiro-Ministro e a Sala de Reuniões do Conselho de Ministros. O principal objetivo foi veicular uma visão eminentemente culturalista do design. Para isso, colocou-se em diálogo uma seleção rigorosa de peças de mobiliário, luminária, têxteis e objetos históricos, abrangendo uma cronologia alargada que viajou desde o século XII até à contemporaneidade do século XXI.
O projeto estruturou-se em torno de quatro ideias essenciais. Primeiro, procurou demonstrar como a tradição e a modernidade coexistem como vetores constantes na identidade nacional. Segundo, representou os grandes setores produtivos — como a madeira, a cortiça, o vidro, a cerâmica, o mármore e o têxtil —, evidenciando a capacidade de reinvenção técnica dos saberes de fabrico artesanais. Terceiro, assegurou uma ampla cobertura geográfica do território. Quarto, priorizou peças assentes em critérios de sustentabilidade e responsabilidade social.
Ao fundir o design contemporâneo com as artes decorativas e os ofícios tradicionais, a exposição afirmou o design como uma capacidade humana inata de economia de recursos, engenho e funcionalidade. A iniciativa, viabilizada pela colaboração de 63 instituições e 57 designers, provou o valor do design como fator estratégico de inovação e competitividade da marca Portugal.