Bárbara Coutinho
Bárbara Coutinho, Inês Correia
Projeto inicialmente programado como uma mostra conjunta do MUDE e MNAA para a Lisbon Art and Antiques Fair 2020. Devido ao contexto pandémico, o MUDE converteu-o numa exposição digital.
Abrandar o Tempo refletiu sobre o papel dos museus na preservação da memória, contrapondo o rigor da conservação e do restauro à efemeridade dos materiais contemporâneos. O projeto evidenciou como designers e artistas desafiam as noções de durabilidade e integridade física ao explorarem novas técnicas e matérias-primas. Esta postura impõe uma constante redefinição ética às instituições museológicas, cuja missão passa por salvaguardar estes testemunhos da cultura material.
A iniciativa abordou esta tensão através de uma seleção de 15 obras do acervo do MUDE, distribuídas por três núcleos.
Em “Performance e Durabilidade”, estimulou-se a consciência da transitoriedade do tempo, da instabilidade do presente e da vida evolutiva das formas. O percurso integrou criações de Fernando Brízio, Gonçalo Campos, Filomeno de Sousa, Diana Silva e Olga Noronha para problematizar o efémero e o duradouro.
O binómio “Múltiplo e Singular” debateu a tensão entre a produção em série e a vertente experimental. Sublinhou-se o facto de as obras adquirirem uma natureza única quando ingressam numa coleção pública, independentemente da sua produção original. Neste espaço, estiveram representados Drocco & Mello, Ross Lovegrove, John Angelo Benson, Samuel Reis e Jorge Carreira.
Por fim, “Ideia e Matéria” centrou-se na constante reinterpretação da cadeira enquanto elemento central da cultura ocidental, demonstrando como revisitar esta tipologia enriquece a memória coletiva. Como exemplo, o núcleo apresentou propostas de Danny Lane, Frank O. Gehry, Glen Thomas e Steven Gheorghiu-Currie.